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Como lidar com a sociedade em que você vive em benefício pessoal e coletivo

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A sociedade em que vivemos

 

Você já parou para pensar, calma e detidamente, sobre a sociedade em que você vive? Sobre suas características? Sobre a forma como você se encontra nela inserido, e como age em seu interior? Sobre como você gostaria que ela fosse? Faça esse exercício, antes de continuar a ler esse artigo.

 

Pois bem. Eu vou apresentar para vocês a sociedade em que eu vivo. A sociedade em que eu vivo é uma sociedade conectada globalmente, mas, apresentando em cada lugar, especificidades que os particularizam. Uma sociedade diversa culturalmente e desigual socialmente. Competitiva. Uma sociedade intolerante e violenta, mas, ao mesmo tempo, solidária. Uma sociedade onde poucas pessoas têm clareza do tipo de vida que valoriza, deixando-se conduzir por quem os tem. Uma sociedade pouco comprometida, verdadeiramente, com um desenvolvimento socioambiental que assegure condições de existência dignas e saudáveis para todos os que vivem hoje e para as futuras gerações. E, felizmente, uma sociedade que conta com pessoas que querem transformar-se e transformá-la em um sentido positivo, como você.

 

E é para você que eu escrevo. É para você, que quer se transformar em uma pessoa melhor, que deseja viver em uma sociedade plena, e com isso, realizar seus sonhos e contribuir para que outros também o façam, que eu faço as sugestões que seguem.

 

Separe-se da sociedade em que vive: afinal, quem é você? O que você valoriza?

 

Quando nascemos, herdamos uma sociedade – com costumes, crenças e valores –, que preexistia a nós. Esses costumes, crenças e valores nos vão sendo transmitidos através de nossos pais, da família, religiões, da escola, na interação com amigos, nas diversas relações sociais em que estamos inseridos, por vontade própria ou não.

 

Quando saímos da adolescência, seguimos uma série de regras que nos foram transmitidas, sem que tenhamos clareza se concordamos com elas ou não. E, muitas vezes, assim permanecemos por toda a nossa vida. Seguir regras com as quais não concordamos, às vezes é inevitável. Mas outras tantas, não. Por outro lado, agir com base no que você acredita e valoriza, torna sua ação muito mais prazerosa e eficaz.

 

Então, vai aqui a minha primeira sugestão no sentido de potencializar o alcance de suas metas e uma participação social construtiva:

  1. Liste todas as regras que orientam a sua conduta hoje

  2. Marque com a cor verde, aquelas com as quais você concorda e pratica;

  3. Marque com a cor vermelha, aquelas com as quais você concorda, mas não pratica.

  4. Marque com a cor laranja, aquelas das quais você discorda, mas pratica.

  5. Marque com a cor azul, aquelas das quais você discorda e não pratica.

 

Depois de realizar esse exercício, faça uma análise do seu conteúdo e responda às seguintes questões:

  1. O que significa conduzir-se seguindo uma regra com a qual você concorda?

  2. Por que você não pratica uma regra com a qual concorda?

  3. Por que você discorda de uma regra e, mesmo assim, a adota?

  4. O que significa não se conduzir segundo uma regra da qual você discorda?

Tenho certeza de que ao realizar esse exercício, você terá um pouco mais de clareza sobre o que acredita e valoriza e, assim, poderá ganhar mais energia para seguir o seu caminho.

 

Entenda os motivos de suas ações na sociedade

 

A clareza sobre o que você acredita e valoriza, no entanto, não são suficientes para que você aumente suas possibilidades de alcançar suas metas e contribuir para melhorar a sociedade em que vive. Outra coisa importante a fazer é identificar os motivos que te levam a agir na sociedade. O que te move nas suas ações sociais, isto é, naquelas ações que você realiza levando em consideração a resposta ou a reação de outros?

 

Segundo Max Weber, um clássico da Sociologia, as ações sociais são movidas por fins determinados, por valores, por emoção/afeto e/ou por tradição.

 

Uma ação social movida por fins determinados é aquela que resulta da avaliação racional dos diversos fins possíveis e de suas respectivas consequências, bem como dos meios para alcançá-los. Uma ação social movida por valores é uma ação com base em convicções, em causas, em princípios. Ela é determinada pela crença consciente em um valor ético, estético, religioso, etc. –, sem relação alguma com o resultado. Já uma ação social orientada por emoção ou afeto é determinada por sentimentos. E uma ação social orientada pela tradição é a que se baseia em um costume arraigado.

 

Dá para imaginar que cada tipo de ação social, ao ser realizada, vai gerar uma reação diferente, não é? Que cada tipo de ação social vai impactar, de uma forma específica, o outro e a sociedade aos quais ela é dirigida. Então, pense no tipo de reação que você quer obter do outro para alcançar as suas metas, no tipo de impacto que você quer promover na sociedade, e aja de acordo.

 

Mobilize a Razão Sábia

 

Até aqui, refletimos sobre elementos que contribuem para você entender como é influenciado(a) pela sociedade em que vive e, por outro lado, como pode exercer sobre ela uma influência positiva, favorecendo, simultaneamente, o alcance de suas metas. Mas esses elementos também não são suficientes para entender a sociedade. Essa tarefa é ainda mais difícil e complexa.

 

Tenho certeza que você já percebeu que existe muita divergência e, o que é grave, muita irracionalidade na interpretação do que acontece na nossa sociedade, no nosso país e no mundo. E, ainda, como não tem tempo para se dedicar a compreender o que acontece, de forma ponderada e criteriosa. Pois é, então está na hora de mudar essa situação.

 

Um caminho? Mobilizar o que Sérgio Paulo Rouanet denomina de Razão Sábia.

 

A razão sábia é aquela capaz de crítica e autocrítica; apta a compreender, em suas verdadeiras estruturas, as leis e instituições; preparada para se defender de discursos pretensamente racionais; e consciente de sua vulnerabilidade ao irracional. Em outras palavras – é aquela que valoriza o uso da nossa capacidade de discernimento, como ferramenta para enfrentar o bombardeio diário de informações contraditórias a que somos expostos no nosso cotidiano. A razão que nos alerta para o fato de que também somos vulneráveis à irracionalidade, e que, portanto, precisamos estar atentos para não sermos por ela dominados, nem nas nossas ações sociais, nem na interpretação da sociedade em que vivemos.

 

Não assuma como só seu um problema que é social

 

Uma das consequências da irracionalidade na interpretação da sociedade, que vejo com frequência no Brasil de hoje – e que traz enormes problemas para a vida pessoal e social, é atribuir a um indivíduo, a uma pessoa, a responsabilidade por tudo o que é considerado insucesso em sua vida. Se você não arruma um emprego, é porque não é bom ou boa profissional. Se você perde o emprego, idem. Se você não consegue pagar as suas contas em dia, é porque não está gerenciando bem seus rendimentos. Se você não dá atenção suficiente ao seu filho ou filha é porque é uma mãe ou um pai displicente ou irresponsável. Será que é isso mesmo? Será que isso vale para todo mundo? Isso só acontece com você ou o desemprego, a remuneração inadequada para assegurar condições de existência dignas, a falta de tempo para se dedicar aos seus filhos são fenômenos sociais? Quais são as consequências dessa perversidade? E seu impacto social? Não acredite que tudo o que acontece com você é sempre responsabilidade exclusiva sua. Não permita que a sociedade te convença de que você não vale nada ou vale muito pouco. Isto vai te adoecer.

 

Por outro lado, que sociedade pode prosperar, com a autoestima baixa daqueles que dela fazem parte? Que sociedade pode prosperar, transferindo para um indivíduo a responsabilidade pelo insucesso de um sistema socioeconômico, que produz e reproduz desigualdades, e  domina o mundo? A quem interessa que isto aconteça? Pense nisso!

 

Acredite: a diferença é uma “benção”

 

Outra irracionalidade que vigora no mundo de hoje, é a guerra que se estabelece na luta pela afirmação da própria identidade, das próprias crenças, da diferença. Somos diferentes sim. Mas esse fato, quando não gera hierarquia nas relações sociais, é o que nos faz complementares. É o que viabiliza e enriquece a vida em grupo.

 

Pude vivenciar, em diversas experiências profissionais, que cooperar traz mais e melhores resultados do que competir. E como fruto dessas experiências, criei a seguinte máxima:

 

O reconhecimento da interdependência social produz a empatia, que gera o afeto, a possibilidade de estabelecimento de vínculos sociais e a constituição de comunidades cívicas, necessários(as) para a construção de uma ética social fundamentada na justiça e na solidariedade.

 

Invista no reconhecimento da complementaridade humana; no reconhecimento da interdependência social; na criação de vínculos sociais; na construção/consolidação de comunidades constituídas por cidadãos atuantes imbuídos de espírito público. Você só tem a ganhar com isso.

 

Dê um propósito social a sua meta

 

Se você vê sentido no que foi escrito até aqui, comece a atuar, simultaneamente, em benefício pessoal e coletivo. Agregue valor a sua meta, dando-lhe um propósito social.

 

Em 2015, tive que fazer um exercício em um curso, que consistia em criar uma empresa e um produto, estabelecer uma meta de venda, produzir o produto, planejar e executar uma estratégia para o alcance da meta e alcançá-la em seis dias, sendo que em cinco deles, estava comprometida com o próprio curso, em horário integral. E isso, não tendo nenhuma experiência nesse campo.

 

A solução que encontrei para lidar com a situação foi dar um propósito social a ela. “Vendi” gentileza, através de aromatizadores de ambiente, que continham em sua embalagem, a seguinte frase, criada por mim – Surpreenda! Presenteie fora de época.

 

Esse pequeno exemplo é para afirmar que seja qual for a sua meta, ela pode ter um propósito social. Eu posso te assegurar isso. Orientei alunos de diversas áreas nesse sentido – economia, administração, comunicação, arquitetura, engenharia, etc. – e eles me agradecem por isso.

 

Sigamos juntos

 

Com esse texto, dou mais um passo na direção da realização de uma das minhas metas pessoais/profissionais. Qual seja, estimular pessoas a experimentar a satisfação de definir, gerenciar e alcançar metas pessoais, profissionais e organizacionais, que contribuam, simultaneamente, para a construção de sociedades éticas, solidárias, colaborativas – e, consequentemente, saudáveis, prósperas e sustentáveis.

 

Se essa missão te seduz, faça-a sua! Se precisar de ajuda, você sabe como me encontrar.

 

Referências

 

CASTRO, Ana Maria de; DIAS, Edmundo Fernandes. Introdução ao pensamento sociológico. 18.ed. São Paulo: Centauro, 2005.

 

COSTA, Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 4 ed. São Paulo: Moderna, 2010.

 

ROUANET, Sérgio Paulo. As razões do Iluminismo. São Paulo: companhia das Letras, 1987.

 

 

*A primeira versão desse artigo publicada no livro Coaching: a arte da superação. Rio de Janeiro: Conquista editora, 2017.

 

 

 

 

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