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Como Aproveitar ao Máximo o Período Universitário, Para Um Belo Início de Carreira e Para a Vida ?*

June 25, 2019

 

 

Você está na universidade! Que ótimo! Vivendo uma nova etapa da sua vida. Cheia de expectativas, dúvidas, inseguranças, surpresas; às vezes, também decepções. Mas, sobretudo, cheia de novos aprendizados.

Uma etapa na qual você passa por várias fases. Que fases são essas? Como aproveitar ao máximo esse período, adquirindo competências e comportamentos importantes para um belo início de carreira?

Tratar dessas questões é o objetivo desse artigo.

 

De onde eu falo?

 

Sou professora de uma universidade pública federal - a UFRJ. Durante muitos anos, dei aula para alunos do primeiro e do quinto períodos da graduação em Gestão Pública para o Desenvolvimento Econômico e Social – o GPDES. E pude acompanhar, de perto, a trajetória - na universidade e pós-universidade - de muitos deles.

 

Classifico a passagem dos jovens pela universidade em 6 fases, que nomeio da seguinte forma: a chegada; o entendimento; a dúvida; o medo do futuro; a reação; a saída.

 

Em cada fase eles agem de uma forma. Em cada fase, eles devem agir de uma forma, se quiserem se preparar, de fato, para o mercado e para a vida.

 

Como grande parte dos cursos não orienta seus alunos para isso, passo aqui as minhas orientações. E a primeira delas é a mais importante: lembre-se sempre que tudo é reversível nessa vida, exceto a morte. Traduzindo: tire o peso de suas escolhas de suas costas, aja com ponderação e vá em frente. O horizonte é muito amplo.

 

Vamos às fases.

 

A chegada

 

Na chegada à universidade, parte dos estudantes tem total clareza sobre a profissão que pretende exercer; a maioria, não. As escolas do ensino médio e seus pais ou responsáveis ainda não descobriram a melhor forma de orientá-los. O Sistema de Seleção Unificada (SISU) não favorece essa escolha. Muitos estudantes acabam se inscrevendo nos cursos em que acreditam podem ser selecionados e não nos que gostariam de fazer. Assim é que, apenas já cursando o primeiro período, eles começam a entender em que resultou a sua escolha.

 

Nesse período, os universitários veem o professor como autoridade no assunto que ele transmite. Preocupam-se em fazer os trabalhos sugeridos e com suas notas. Têm medo de serem reprovados. Mas não entendem ainda como funciona o sistema universitário. E, muitas vezes, perdem oportunidades importantes para o seu futuro.

 

Por exemplo: o rendimento do aluno na universidade é medido por um coeficiente de rendimento (CR) e por um coeficiente de rendimento acumulado (CRA). O primeiro consiste na média ponderada das notas finais obtidas em cada disciplina ao final de um período, tendo como peso o número de créditos que cada disciplina confere. O segundo traduz o rendimento do aluno, até o período em que ele está cursando. Um CR alto é um bom investimento. Muitas vezes ele é considerado em processos de seleção para bolsas, estágios e outras oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal/profissional. Nesses casos, quanto mais alto ele for, mais aumentam as chances de acessar essas oportunidades. 

 

Por outro lado, um bom coeficiente de rendimento, já no primeiro período, indica que o aluno entendeu as regras para alcançá-lo. O que facilita o seu caminho para o sucesso na vida acadêmica.

 

Portanto, fique atento: assegure, logo de início um bom coeficiente de rendimento. Ele propicia descobertas importantes sobre você e pode impactar, positiva ou negativamente, toda a sua trajetória profissional.

 

O entendimento

 

A segunda fase por que passa o estudante universitário é a que denomino fase do entendimento. Ela ocorre entre o segundo e o terceiro períodos.

Nessa fase, o aluno já fez a passagem do ensino médio para o superior. Começa a discernir melhor sobre os assuntos que o interessam e os que  não o interessam tanto. Sobre quais são seus melhores professores. Já descobriu afinidades com os colegas. Compreende melhor a profissão que escolheu. É chamado a participar da política estudantil.

 

Esse período precede ou ocorre simultaneamente à fase da dúvida. E é importante ser vivido com calma. É o momento em que a maturidade pessoal e profissional se anuncia.

 

Nesse período, deve-se cuidar para não deixar que as atividades extracurriculares prejudiquem as curriculares. Por mais que as vivências e experiências extracurriculares, na universidade e fora dela, sejam importantes, uma boa carreira se faz com acúmulo de conhecimento sobre ela e sobre conteúdos relevantes para construí-la. 

 

É o período que exige mais foco e disciplina. Se você conseguir administrar essa fase com sucesso, você adquirirá essas duas características fundamentais para um bom início de carreira.

 

Dúvida

 

Na fase da dúvida, os estudantes já têm informações suficientes sobre a carreira, o curso e outras possibilidades de inserção profissional na sociedade. E, por isso, alguns problematizam a escolha feita. Aqueles que não se identificam com o curso, mudam de curso.

 

Diria que somente nessa fase, a maioria dos alunos experimenta uma escolha minimamente consciente. E, nesse sentido, eles devem ser apoiados por aqueles que estão ao seu redor: pais, professores, amigos, etc.

 

É bom lembrar que todos temos o direito de fazer escolhas que, mais tarde, venham a ser avaliadas como escolhas “erradas” – o importante é que, quando elas ocorrem, sejam frutos da ponderação. É bom lembrar, ainda, que sempre temos a possibilidade de dar novos rumos a nossa vida.

 

Um profissional infeliz não é um profissional competente. Não insista na infelicidade.

 

O medo do futuro

 

Arrefecida a fase da dúvida, vem o medo do futuro, que se inicia por volta do quarto período e se intensifica no quinto. Essa fase é a de maior sofrimento para os estudantes. Eles começam a competir em um mercado de trabalho que desconhecem, em busca de estágios. E, diante das dificuldades, desenvolvem um certo pessimismo em relação ao próprio futuro.

 

Nessa fase, a compreensão da sociedade em que se vive e do mercado de trabalho em que se quer atuar é mais fundamental do que nas anteriores – sem essa compreensão, o aluno, quando não consegue estágio ou participação em pesquisas, atribui o “insucesso” na empreitada a si, desconsiderando que muitas vezes, esse “insucesso” é definido pelas condições econômicas, políticas e institucionais em que se encontra a sociedade em que ele vive.

 

Por outro lado, essa é uma fase que propicia uma boa oportunidade para o desenvolvimento de competências em gerenciamento de projetos - competências necessárias para o planejamento de carreiras e para o alcance de qualquer objetivo na vida.

 

Em 2016, tive a oportunidade de elaborar, com meus alunos do GPDES/UFRJ, um projeto cuja finalidade consistia em facilitar a inserção deles no mercado de trabalho, por meio da divulgação da existência do curso no mesmo. O curso é novo e pouco conhecido.

 

Para traçar a estratégia adequada, realizamos uma pesquisa de mercado e levamos em consideração o contexto político-econômico-institucional, que caracterizava o Brasil. Os alunos envolvidos desenvolveram competências no gerenciamento de projetos e estão melhor preparados para conduzir suas carreiras na direção que desejarem.

 

A reação

 

Mesmo que os alunos não tenham a oportunidade de, na fase anterior, se situar melhor na sociedade e no mercado de trabalho e desenvolver competências que lhes auxiliem no planejamento de sua carreira, o medo do futuro, ao ser assumido, os leva a reagir. Eles se põem em movimento. Buscam orientações de professores, informações em organizações que fazem a integração entre escola e empresa, em redes sociais, com colegas, etc. Fazem, mesmo que intuitivamente, pesquisa de mercado.

 

Por outro lado, ao verem que muitos de seus colegas “encontraram um lugar ao sol”, recuperam a crença no futuro e começam a se preparar para a fase final: a saída da universidade.

 

A saída

 

Na minha avaliação, a saída da universidade começa quando o aluno se conscientiza que tem um prazo para elaborar seu trabalho de conclusão de curso. Esse é um momento muito importante em sua carreira. O tema com o qual ele decide trabalhar vem do seu interesse em aprofundar-se em um assunto que ele considera relevante; ou de sua experiência profissional, em sua área de conhecimento; ou, ainda, constitui um indicador do caminho que ele pretende seguir no futuro.

 

Em resumo, é um momento de síntese e uma ponte para o futuro. Um momento em que ele deve ser absolutamente honesto com as suas expectativas e desejos. Para que a construção de um caminho profissional autêntico e, portanto, bem-sucedido e feliz, seja possível.

 

Nesse momento, ele vai enfrentar o seu maior desafio. Será que o meu tema é importante? Será que aquele professor que eu tanto admiro vai querer me orientar? Será que eu vou dar conta de fazer o trabalho no prazo determinado? Será que esse trabalho pode contribuir para a inserção profissional que eu desejo? Será que eu vou fazer uma boa apresentação do trabalho? Será que o trabalho vai ser aprovado? Será que eu vou conseguir me formar? Será que eu vou conseguir um emprego assim que me formar? Essas são algumas das questões que infernizam os alunos em sua preparação para sair da universidade.

 

Uma coisa é certa: quanto mais clareza você tiver sobre o que você quer para o seu futuro ou para construí-lo, quanto mais serenidade você tiver para enfrentar esse desafio, maiores as suas chances de alcançar o seu objetivo.

 

Então, fique calmo. Antes de decidir o que será seu trabalho de conclusão de curso, faça uma reflexão com base nas questões que seguem. Pergunte-se: com o que eu gostaria de trabalhar no futuro? Por quê? Que benefícios pessoais eu espero obter com o meu trabalho? Em que medida o meu trabalho poderá contribuir para que eu obtenha esses benefícios? Eu acho importante que meu trabalho contribua para melhorar a sociedade em que vivo? Se sim, de que maneira eu acho que o meu trabalho pode contribuir? Se eu entender que o trabalho de conclusão do curso é o primeiro passo na direção do alcance dos meus objetivos profissionais, sobre o que ele deve tratar? Esse assunto me interessa? Quais as alternativas? O tempo que eu tenho para realizar o trabalho é compatível com o que eu quero fazer? As minhas condições de vida me permitem realizar o trabalho no prazo determinado para isso? Como ajustar o trabalho que eu gostaria de realizar ao tempo e às condições de vida de que disponho?

 

Avalie suas respostas e decida sem medo. Coragem! Um novo mundo se abre para você. Um mundo de infinitas possibilidades.

 

Resgatando

 

Se eu consegui passar para você o que queria, você entendeu que a passagem pela universidade te permite: se conhecer melhor, assim como os seus objetivos profissionais e de vida; adquirir conhecimentos relevantes para uma atuação produtiva e responsável na sociedade; desenvolver habilidades e competências necessárias para a realização de qualquer atividade profissional; ponderar antes de fazer escolhas; elaborar projetos para ampliar as possibilidades de alcance dos seus objetivos.

 

E agora? Concordam comigo? Não vale a pena aproveitar ao máximo o período universitário?

 

Tenho certeza que muitos de vocês concordam. Inclusive porque tem amigos e amigas formados, que estão bem colocados no mercado ou caminhando para tanto.

 

Estejam certos: a situação que eles vivem, e que vocês admiram, não caiu do céu.

 

* A primeira versão desse artigo foi publicado em: Motta, Monica. Construa o seu caminho: você está construindo o seu. Rio de Janeiro: Conquista Editora, 2017.

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